domingo, 23 de setembro de 2007

005, Tarde.

Era um daqueles bairros de imigrantes japoneses, dia de comemoração, o cheiro da comida viajava longe e a música inspirava dança. A multidão passando na rua principal, entre as lojas e barracas, pessoas vestidas a caráter, crianças brincando com seus peixinhos recém capturados, casais observando os fogos de artifício. Ele estava ali, andando distraidamente tentando não lembrar daquilo que o perturbava tanto, mas era impossível. Tentar desesperadamente esquecer significava lembrar a cada instante.

Naquela esquina pôde sentir aquele agradável aroma de incenso e quis saber de onde vinha. Entrou por uma estreita rua escura e já não sabia dizer onde estava, cada vez mais próximo de onde quer que fosse chegar. A música era agora distante, assim como o som das vozes, dos risos. Andou até notar dois objetos luminosos no meio da escuridão. Eram duas lanternas chinesas na porta de um pequeno restaurante espremido entre as casas pequenas e escuras daquele local. Por entre as sombras pôde notar pessoas chegando de diversos lugares que não sabia identificar. Aproximou-se mais e foi então que notou, entre os clientes que chegavam, sua amiga Adriana. Ela também pareceu notá-lo, acenou e sorriu. Ele retribuiu, não a via desde o dia em que ela suicidara-se, quatro anos antes.

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