Concentrado naquilo que escrevia, sentiu o calor daquelas mãos tocando rapidamente os seus ombros “vamos lá fora?”. Sabia que ele não recusaria, não estava sendo questionado, afinal isso sempre foi mais como “eu estou saindo, vou beber água, você sai logo depois de mim”, ao que sempre respondia “certo”. Não que algo devesse estar correto ou errado, era apenas a expressão que correspondia ao “tudo bem, pode ir, assim que você passar pela porta eu te sigo”. E, logo depois, ele foi.
Era noite e lá fora o vento vindo do lago balançava a copa das árvores. O campus assemelhava-se a uma grande praça, mesmo sem os banquinhos, e às vezes nem parecia ficar dentro da cidade. Em pé, próximo a uma das entradas do bloco onde estudavam, começaram a conversar enquanto os ponteiros do relógio seguiam adiante em sua marcha.
Um deu um trago enquanto o outro observava quieto a fumaça, acompanhava com os olhos e a mente aquela dança curva e fluida em direção ao infinito. Nunca tinha notado o quão bonito podia ser aquilo numa noite cheia de estrelas, estar ali e poder percebê-lo o deixou mais contente. Aquela pequena mão e seus dedos curtos segurando aquele cigarro o faziam distante daquilo que estava sendo conversado naquele momento, ao mesmo tempo em que a proximidade daqueles dois nunca houvera sido tão grande.
A lua, tal qual o Gato de Cheshire, sorria em sua loucura contemplando a desordem presente na mente deles.
terça-feira, 18 de setembro de 2007
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